INTRODUÇÃO

Língua Gestual Portuguesa - LINGUÍSTICA

A língua gestual portuguesa é base fundamental da linguística e assenta na espontaneidade de comunicação entre os surdos e outros. Como tal poder-se-á referir a existência de uma minoria linguística no mundo silencioso e que os surdos têm expressado nos seus gestos o que se denomina de “linguagem dos surdos”. Os gestos são bastante utilizados pela maioria dos surdos, convertendo-se num idioma que não pode contrariar a LGP por necessidade de interferir a língua com as mãos.

Há uma especificação variável entre os gestos numa relação de metodologia e caracterologia na qual se constitui o factor principal para a memória visual e a percepção mútua entre os surdos. Não estamos perante uma espécie em extinção, mas uma espécie que bem ou mal se iniciou e está a evoluir, indo os procedimentos gestuais correspondendo com as noções convencionais. Os gestos têm sido considerados uma necessidade de comunicação humana. E como tal os “gestos” têm importância nas escolas, universidades, associações, federações, congressos, intérpretes, tribunais, telejornais, etc. para possibilitar uma maior integração social e comunicação humana dos surdos que se expressam habilmente desta forma, também para conviverem. Do mesmo modo as relações sociais dependem necessariamente muito de configuração, acção, expressão facial, movimento corporal, etc.

A comunicação gestual não é somente uso dos próprios surdos, é também dos ouvintes que adquiriram o conhecimento da LGP desde a infância ou através dos cursos de intérpretes. Por exemplo, os ouvintes, filhos de pais surdos – ou de quaisquer parentes da família – que aprenderam quando eram crianças a língua-mãe e a língua gestual. Essas pessoas surdas ou ouvintes, no mundo de hoje, conhecem a língua gestual e podem conhecer um acontecimento espontâneo até porque os seus gestos são mais representativos da realidade.

Em Portugal existem estatisticamente cerca de 150 mil pessoas com deficiência auditiva (noção onde se incluem os surdos profundos, parciais, etc.), na sua maioria, acostumados a aplicar a conversação por gestos do que a por gestos-falantes. Podemos justificar tal facto com a realidade histórica civilizada da vida dos surdos. Refiro-me concretamente aos surdos que falam e percebem pelo movimento labial de qualquer pessoa e consegue transmitir oralmente as suas ideias pronunciando mais devagar, chamo a estes “surdos – falantes”. Para os restantes surdos o movimento labial deve ser acentuado na língua, nos dentes e nos lábios e bem articulados para a expressão oral ser compreensiva para outros surdos.

Aos surdos não deve ser exigida só o modo de expressão oral, mas deve-se permitir que se conjuguem as duas expressões possíveis (oral e gestual), o que permitirá um melhor método de compreensão. Outros que não têm a facilidade de falar por uma ou outra razão, “falam” com as mãos e “ouvem” com os olhos, sendo manifestamente mais fácil a integração social, outros usam apenas os gestos.

A “anulação” da LGP acontecimento associada há existência de algumas escolas – crianças ou adultos pode pôr em causa o desenvolvimento e integração social da pessoa surda.

O mundo de hoje tem dado primazia à comunicação falada e escrita, mas existiu já a escrita hieroglífica da era do A. Cristo, e da época dos Faraós encontramos a antiga escrita egípcia ou fenícia, os idiomas asiáticos, e ainda a dos índios americanos; etc. Cada um destes desenvolveu uma nova linguística. Da mesma forma, hoje a língua gestual não é só linguagem das mãos.

No que se refere à “gesticulação metódica” nas escolas em que se concilia a aprendizagem do ensino disciplinar com a companhia dos gestos em comum com a oral.

Na educação a existência de escolas próprias para os surdos (crianças, jovens e adultos) é fundamental. Já encontramos professores ouvintes, na carreira do ensino infantil, primário, secundário e universitário que empregam a língua falada e a língua gestual, pois é necessário uma representação directa de realidade.

Nas escolas a falta de comunicação por via gestual tem implicações a nível da psicologia das crianças surdas as quais manifestam algumas dificuldades da percepção pelo facto de haver alguma falta dos gestos. De facto, as crianças surdas têm dificuldade na compreensão da leitura, dado não a sentir, isto é, não conseguem compreender vários significados do vocabulário nem algo das frases.

Creia-se é essencial no desenvolvimento escolar das crianças surdas o acompanhamento através de gestos das pronúncias entre si.

Não se põe em causa que as crianças surdas utilizem a oralidade embora com esforço. Esse facto pode constituir uma das formas importantes da evolução fonética e uma forma importante de desenvolvimento geral dos gestos ajudando-se na evolução de bons preceitos e actos do desenvolvimento.

Por essa razão, em vários países onde existe uma educação para os surdos, houve lugar ao desenvolvimento no ensino universitário da língua gestual.

No campo profissional os surdos encontram-se nos mais diversos ramos, e além da LGP que permite uma mais fácil integração e mais alta profissionalização. Geralmente o surdo é caracterizado por ser um bom trabalhador, mas não lhe são dadas as possibilidades de progressão, há que lhe dar essas possibilidades sob pena de se considerar desincentivado e pouco aproveitado nas suas potencialidades. A responsabilidade é um factor de integração social.

Os surdos têm um papel importante no desenvolvimento da civilização humana.

As suas mãos que falam e também fazem amiudadamente imensas coisas dos seus pensamentos ou ideias.

A linguagem gestual é uma “arte mais ou menos eloquente” para todos (surdos ou ouvintes), pois deriva da beleza dos gestos e da fala ritmada das mãos e da maneira de se expressar as ideias, tal como a linguagem falada depende muito da articulação e do tom da voz.

A expressão gestual é mais natural à percepção humana. A língua oral tem por factor principal o desenvolvimento da fonética.

Às vezes muitos gestos possuem um carácter abusivo e instrutivo, mas evidentemente podem não ser compreendidos, mas provavelmente explicados. Conforme o que se considera como gestos originais determina-se a posição de “eficácia absoluta”, e da “eficácia relativa”, ou seja, a contradição dos gestos com a comunicação humana parafraseando-se alguma prosa. O carácter natural do gesto depende do gesto convencional que é sensivelmente diferente ao das línguas orais. Porém, os procedimentos convencionais são explicitamente deslizantes e seguros indicando-se uma ou mais trajectórias nas posições de vídeo em relação com o movimento mímico para a designação do objectivo pretendido. Para os surdos ou ouvintes terem de aceitar estes movimentos como mímicas características juntas ou com as legendas explicativas.

Agora passamos à solução etimologia da gesticulação metódica para o leitor discernir certos estudos. A linguagem gestual é constituída manifestamente de pessoa para pessoa, os surdos têm uma comunicação fulminante. Para se citar um exemplo: “Eu gosto muito de ti”, o surdo apenas com 4 sinais diz a mesma coisa, não expressando o “de”, assim o surdo gestualiza: “Eu – gosto – muito – ti”.

Os mesmos procedimentos prestam-se para expressar gestualmente vários vocábulos de cada um dos temas, conforme os existentes nos conteúdos programáticos em geral. Por outro lado, havendo a falta de gestos para designar, designadamente, nomes pessoais, nomes esquisitos de qualquer coisa, etc., aproveita-se para usar o abecedário gestual português (o alfabeto manual).

Assim, o Abecedário Gestual Português é um dos principais caracteres da linguagem gestual e é denominado de DACTILOLOGIA. Esta consiste em representar cada letra do abecedário de acordo com uma posição definida dos dedos na mão dominante. O princípio da dactilologia é muito simples.

No decorrer de um vídeo, poderá associar-se entre os surdos e ouvintes respectivamente, utilizando as linguagens gestuais e orais. É aconselhável que os ouvintes tirem Cursos Básicos de Língua Gestual Portuguesa, hajam várias escolas, sempre com Professores Surdos nas aulas, bem como participar no convívio das associações de surdos, utilizar os CDs de LGP e os livros de LGP.

Concluo no sentido de que se deve insistir na introdução da linguagem gestual e de um poderoso método. O hábito e a prática do método gestual pode ampliar-se a toda a esfera da actividade humana produzindo um aumento da capacidade, de simpatia, e compreensão mútua.

Não gostaria de terminar sem referir a importância do bilinguismo, na pessoa do padre surdo espanhol Augustin Yager que em 1972 e em 1979 celebrou a missa em Fátima durante a peregrinação solene dos surdos portugueses e espanhóis, bem como na importância que os intérpretes têm nas televisões dos nossos dias.

Professor Renato Pereira

 

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